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A Aromaterapia é a terapia através dos óleos essenciais, que são substâncias químicas naturais, voláteis à temperatura ambiente, produzidas por plantas aromáticas e sintetizadas por elas para atender a diversas finalidades, desde a de atrair insetos polinizadores, até a de combater microorganismos e insetos herbívoros. Os óleos essenciais são isolados das plantas majoritariamente pelo processo de destilação com vapor de água e são empregados pela humanidade, desde pelo menos o século X, tanto para finalidades medicinais, quanto estéticas. Até a segunda metade do século XIX, por exemplo, a perfumaria usava majoritariamente os óleos essenciais na composição de perfumes, mas a aromaterapia, que emprega essas mesmas substâncias com fins terapêuticos, surgiu com este nome apenas na primeira metade do século XX, tendo a França como o local onde ela primeiro se desenvolveu, seguindo-se a Inglaterra.

Terapeuticamente, os óleos essenciais podem ser usados por humanos e animais sobretudo por inalação, mas também através da aplicação na pele. Existe também o uso interno dos óleos essenciais, mas menos difundido que a aplicação externa. A atuação dos óleos essências é bastante ampla e alguns de seus mecanismos são conhecidos pela ciência e outros não. É conhecido, por exemplo, que as moléculas que compõem os óleos essenciais têm diversas ações farmacológicas e, através deste conhecimento, há diversas décadas a indústria farmacêutica emprega os óleos essenciais como princípios ativos de medicamentes naturais: Mentaliv e pastilhas Valda, por exemplo, são nomes de medicamentos que já foram formulados com óleos essenciais. Medicamentos modernos como Silexan e Rowatinex também usam óleos essenciais em sua composição. Mas como os óleos essenciais também são usados como flavorizantes, sempre houve e há muitos medicamentos flavorizados com óleos essenciais, e mesmo produtos de higiene, como pastas de dentes e enxugatórios bucais. A indústria de alimentos também usa óleos essenciais, como o aroma do refrigerante Coca-Cola. No entanto, como a pressão por controle de custos nunca é compatível com a produção de produtos naturais, os óleos essenciais vêm sendo há décadas substituídos por aromas e fragrâncias sintéticas, ou por isolados sintéticos no caso de fármacos, substâncias que não sofrem oscilações de preço por conta de safra e nem variabilidade bioquímica.

A Aromaterapia, então, é apenas um dos nichos de mercado que utiliza os óleos essenciais, mas um nicho que vem crescendo em todo o mundo devido à demanda por terapias naturais. Mas os óleos essenciais são substâncias extremamente complexas do ponto de vista bioquímico, e esta complexidade é o principal fator que impede o avanço de pesquisas científicas na área, além do fato de serem substâncias que não se pode patentear. Uma outra complexidade que existe dentro dos óleos essenciais são os dois outros modos como agem nos organismos: eles têm cheiros e, portanto, geram uma resposta emocional mediada pelo impulso elétrico gerado no nervo olfativo, e eles agem também em nível energético, como, por exemplo, agem os florais, a homeopatia, o Reiki ou a acupuntura.

Toda esta complexidade de ação – bioquímica, olfativa, e energética – traz um desafio para a formação e atuação do profissional de aromaterapia. Ele não pode ser apenas um conhecedor da farmacologia dos óleos essenciais, sob pena de endereçar um tratamento sem considerar a complexidade do ser humano, um organismo bioquímico, psíquico e espiritual; e ele não pode apenas conhecer os aspectos olfativo e energético dos óleos essenciais, sob pena de negligenciar tanto o potencial quanto o risco terapêutico dessas substâncias. Então ele precisa ser um profissional que transita tanto pelo conhecimento científico, quanto pelo conhecimento holístico, e ser capaz de discernir, conforme o caso que tem em mãos, como valorizar mais um ou outro aspecto da aromaterapia e quando, inclusive, encaminhar seu cliente para outro profissional de saúde ao notar que o caso que tem em mãos não pode adequadamente ser tratado com óleos essenciais.

No Brasil a aromaterapia é integrante da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares de Saúde, a PNPICS e, enquanto tal, passível de ser oferecida dentro do Sistema Único de Saúde, o SUS. No entanto, como a aromaterapia não é ainda uma profissão reconhecida e, portanto, muito menos regulamentada, o aromaterapeuta com esta visão plural nem está no SUS e nem poderá estar. Isso implica que os profissionais de saúde que já atuam no SUS aprendam aromaterapia para ofertá-la à população nas unidades de saúde, mas isso só ocorrerá na medida em que a aromaterapia seja autorizada como especialidade por parte dos conselhos de cada uma das profissões de saúde já regulamentadas no Brasil.

Diante deste desafio e também por acreditar que a aromaterapia possa e deva continuar sendo exercida livremente, a Associação Nacional de Aromaterapia e Aromatologia, a Abraroma, fundada em 1997, está implementando em 2018 uma auto-regulamentação, a CertAroma – Certificação Nacional em Aromaterapia. Como o nome já diz, trata-se de uma regulamentação própria, à qual seus membros filiados podem aderir voluntariamente, atestando, para o mercado e sociedade em geral, que possuem uma formação compatível com sua atuação enquanto um aromaterapeuta profissional. O reconhecimento da profissão é uma meta, mas a Abraroma, que hoje congrega a liderança da aromaterapia no Brasil – empresas, escolas, professores e pesquisadores – acredita que ainda seja prematuro buscar a regulamentação da profissão, haja vista sua pluralidade e complexidade. Por isso, está propondo uma auto-regulamentação que, aliás, é uma prática comum e muito eficaz para várias atividades e meios profissionais, como, por exemplo, no mercado de flavor & fragrance, onde a IFRA é uma entidade autônoma de auto-regulamentação da indústria cosmética, ou como no coaching, onde pelo menos duas entidades publicam código de ética e currículo mínimo de formação para seus associados. A previsão é que o currículo da CertAroma seja finalizado ainda em 2018 e que no início de 2019 os filiados da Abraroma já possam requerê-la, o que elevará a qualidade dos atendimentos com aromaterapia em todo território nacional. E, para 2019, além da CertAroma, a Abraroma também intenta certificar cursos e escolas, além de implantar um comitê da cadeia produtiva, que discutirá uma auto-regulamentação de qualidade para os óleos essenciais no Brasil. O site da Abraroma está sendo reformulado, mas o contato com a associação pode ser feito através do email abraromanova@gmail.com ou através de sua fanpage no Facebook (@abraroma.brasil).

Mayra Correa e Castro
Membro da Abraroma, da Aromaflora e proprietária da Casa Máy

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